Globoesporte.com destaca jovem atleta do distrito Algodão

O site Globoesporte.com, um dos mais renomados no segmento esportivo do país, publicou neste domingo, 23 de dezembro, uma matéria com o jovem atleta André Trindade. Nascido e criado no distrito de Algodão, município de Ibirataia, aos 17 anos André é uma das referências do principal time das categorias de base do Fluminense. Atualmente, volante titular e capitão do sub-17, André é uma das promessas da base do Tricolor: mais uma joia de Xerém.

Confira abaixo, na íntegra, a matéria de autoria do jornalista Edgard Maciel de Sá.

Joia 2019: de Algodão para Xerém, André troca de posição para se firmar no Fluminense

Volante e capitão do sub-17 foi descoberto no interior da Bahia como atacante em 2013. Hoje se espelha em Busquets, do Barcelona, de olho em uma chance entre os profissionais

Quem vê André Trindade hoje ostentando a faixa de capitão, a camisa 5 e roubando bolas no meio-campo do sub-17 não sabe que o volante precisou fazer oito gols em sete jogos para ser descoberto pelo Fluminense em 2013. De lá pra cá, o centroavante foi recuado, virou titular e hoje é uma das referências do principal time das categorias de base do Tricolor: mais uma joia de Xerém.

Essa história começa no distrito de Algodão, município de Ibirataia, no interior da Bahia. Foi lá que André nasceu e cresceu. Sua caminhada no futebol começou na escolinha ”Futuro Certo”. Aos 10 anos, ele participou de uma peneira do Bahia em uma cidade vizinha. Bem avaliado, recebeu a chance de ir a Salvador. Acabou aprovado no primeiro dos três testes previstos. Pouco tempo depois, quando já morava em Salvador com a mãe, surgiu a oportunidade de defender o Fluminense.

– Foi em 2013. Fui disputar um campeonato no interior da Bahia e fui artilheiro. Ali o Fluminense se interessou – lembrou o volante.

André na final da Copa do Brasil Sub-17: Fluminense ficou com o vice-campeonato — Foto: Mailson Santana / FluminenseFC

Artilheiro? Isso mesmo. Naquela época, o hoje volante ainda era centroavante. Foi nessa posição que ele foi captado e chegou a Xerém. Mas praticamente não jogou no ataque. André tem 1.77m e disputava posição com Marcos Paulo, hoje camisa 10 do sub-17. A medida que foi sendo recuado, foi ganhando espaço nas categorias de base.

– Cheguei como centroavante depois de marcar oito gols em sete jogos. Era bom, po (risos). Mas sou baixo e era reserva do Marcos Paulo. Ai complica, né? Teve troca de treinador em 2014 e virei meia. Depois passei para segundo volante, primeiro… Agora encontrei minha posição – disse André, que se espelha em Busquets, do Barcelona.

Os anos foram passando e o volante foi driblando as dificuldades. Desde quando tinha que ficar em casa sozinho, ainda em Salvador, quando a mãe saía para trabalhar, até o início complicado em Xerém. Ele praticamente não jogou em 2013 e só foi virar titular dois anos depois, já como volante. Mas o ano da afirmação foi 2018. André foi destaque no título carioca e nas campanhas dos vice-campeonatos da Taça BH e da Copa do Brasil Sub-17. Querido no grupo, é o capitão do time. Mas não escapa das brincadeiras dos companheiros. É chamado de velho por alguns hábitos diferentes.

André sorri com o troféu do título carioca sub-17 de 2018 — Foto: Lucas Merçon / FluminenseFC

– Nas viagens sempre tem aquela parada. Pessoal costuma tomar suco, refrigerante, e eu fico no meu café, no cappuccino. Também gosto de ficar mais em casa, não sou de farra. Ai falam que sou velho – resumiu.

Aos 17 anos, André vive a expectativa agora da sua primeira Copa São Paulo de Juniores. A tendência é que ele seja titular da equipe do técnico Gustavo Leal. O próximo passo será chegar aos profissionais. E, quem sabe um dia, de Algodão para o mundo.

– Sempre tem aquele sonho de jogar no profissional. Mas um passo de cada vez. Quero conquistar títulos pelo Fluminense, jogar na Europa e chegar na Seleção. Gosto do Barcelona, pelo toque de bola, e do Liverpool, pela vontade do time.

(Bahia em Dia/Globoesporte.com)